Homilia 28/setembro/2014
Padre Marcos Daniel Ramalho
28/setembro/2014 - XXVI Domingo Comum
A liturgia do 26º Domingo
do Tempo Comum deixa claro que Deus chama todos os homens e mulheres a
empenhar-se na construção desse mundo novo de justiça e de paz que Deus sonhou
e que quer propor a todos os homens. Diante da proposta de Deus, nós podemos
assumir duas atitudes: ou dizer “sim” a Deus e colaborar com Ele, ou escolher
caminhos de egoísmo, de comodismo, de isolamento e demitirmo-nos do compromisso
que Deus nos pede. A Palavra de Deus exorta-nos a um compromisso sério e
coerente com Deus – um compromisso que signifique um empenho real e exigente na
construção de um mundo novo, de justiça, de fraternidade, de paz. Na primeira leitura, o profeta Ezequiel
convida os israelitas exilados na Babilônia a comprometerem-se de forma séria e
constante com Deus, sem rodeios, sem evasivas, sem subterfúgios. Cada crente
deve tomar consciência das consequências do seu compromisso com Deus e viver,
com coerência, as implicações práticas da sua adesão a Jahwéh e à Aliança. O Evangelho diz como se concretiza o
compromisso do crente com Deus… O “sim” que Deus nos pede não é uma declaração
teórica de boas intenções, sem implicações práticas; mas é um compromisso
firme, coerente, sério e exigente com o Reino, com os seus valores, com o
seguimento de Jesus Cristo. O verdadeiro crente não é aquele que “dá boa
impressão”, que finge respeitar as regras e que tem um comportamento
irrepreensível do ponto de vista das convenções sociais; mas é aquele que
cumpre na realidade da vida a vontade de Deus. A segunda leitura apresenta aos
cristãos de Filipos (e aos cristãos de todos os tempos e lugares) o exemplo de
Cristo: apesar de ser Filho de Deus, Cristo não afirmou com arrogância e
orgulho a sua condição divina, mas assumiu a realidade da fragilidade humana,
fazendo-se servidor dos homens para nos ensinar a suprema lição do amor, do
serviço, da entrega total da vida por amor. Os cristãos são chamados por Deus a
seguir Jesus e a viver do mesmo jeito, na entrega total ao Pai e aos seus projetos.
Reflexão:
• Antes de mais nada, a
parábola dos dois filhos chamados para trabalhar “na vinha” do pai sugere que,
na perspectiva de Deus, todos os seus filhos são iguais e têm a mesma
responsabilidade na construção do Reino. Deus tem um projeto para o mundo e
quer ver todos os seus filhos – sem distinção de raça, de cor, de estatuto
social, de formação intelectual – implicados na concretização desse projeto.
Ninguém está dispensado de colaborar com Deus na construção de um mundo mais
humano, mais justo, mais verdadeiro, mais fraterno. Tenho consciência de que
também eu sou chamado a trabalhar na vinha do Senhor?
• Diante do chamamento de Deus, há dois tipos de resposta… Há aqueles que
escutam o chamamento de Deus, mas não são capazes de vencer o imobilismo, a
preguiça, o comodismo, o egoísmo, a auto-suficiência e não vão trabalhar para a
vinha (mesmo que tenham dito “sim” a Deus e tenham sido batizados); e há
aqueles que acolhem o chamamento de Deus e que lhe respondem de forma generosa.
De que lado eu estou ? Estou disposto a comprometer-me com Deus, a aceitar os
seus desafios, a empenhar-me na construção de um mundo mais bonito e mais
feliz, ou prefiro demitir-me das minhas responsabilidades e renunciar a ter um
papel ativo no projeto criador e salvador que Deus tem para os homens e para o
mundo?
• O que é que significa, exatamente, dizer “sim” a Deus? É ser batizado ou
crismado? É casar na igreja? É fazer parte de uma pastoral da paróquia? É ter feito votos num instituto religiosos? É ir todos os dias à
missa e rezar diariamente a Liturgia das Horas?
Atenção: na
parábola apresentada por Jesus, não basta dizer um “sim” inicial a Deus; mas é
preciso que esse “sim” inicial se confirme, depois, num verdadeiro empenho na
“vinha” do Senhor. Ou seja: não bastam palavras e declarações de boas
intenções; é preciso viver, dia a dia, os valores do Evangelho, seguir Jesus
nesse caminho de amor e de entrega que Ele percorreu, construir, com gestos
concretos, um mundo de justiça, de bondade, de solidariedade, de perdão, de
paz. Como me situo face a isto: sou um cristão “de registro”, que tem o nome
nos livros da paróquia, ou sou um cristão “de fato”, que dia a dia procura
acolher a novidade de Deus, perceber os seus desafios, responder aos seus
apelos e colaborar com Ele na construção de uma nova terra, de justiça, de paz,
de fraternidade, de felicidade para todos os homens?
• Nas nossas comunidades cristãs aparecem, com alguma frequência, pessoas que
sabem tudo sobre Deus, que se consideram família privilegiada de Deus, mas que
desprezam esses irmãos que não têm um comportamento “religiosamente correto” ou
que não cumprem estritamente as regras do “bom comportamento” cristão… Atenção:
não temos qualquer autoridade para catalogar as pessoas, para as excluir e
marginalizar… Na perspectiva de Deus, o importante não é que alguém se tenha
afastado ou que tenha assumido comportamentos marginais e escandalosos; o
essencial é que tenha acolhido o chamamento de Deus e que tenha aceitado
trabalhar “na vinha”. A este propósito, Jesus diz algo de inaudito aos “santos”
príncipes dos sacerdotes e anciãos do povo: “os publicanos e as mulheres de má
vida irão diante de vós para o Reino de Deus”. Hoje, que é que isto significa?
Hoje, quem são os “vós”? Hoje, quem são os “publicanos e mulheres de má vida”?
fonte:
www.dehonianos.org
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